Um Testemunho e Uma Advertência

Ezra Taft Benson – Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos

O Senhor declarou que “este é um dia de advertência e não de muitas palavras” (D&C 63:58). Minha mensagem é um testemunho e uma advertência sobre alguns dos males que ameaçam a América – uma terra que eu amo de todo o meu coração. Existem outros países com o mesmo problema. Vocês que viram estes perigos na terra que amam terão um profundo sentimento recíproco pelo o que irei dizer.

A América é um lugar de muitos eventos grandiosos. Aqui é o lugar que Adão habitou, onde o Jardim do Éden era localizado. A América foi a terra de grandes civilizações antigas, incluindo a civilização de Adão, os Jareditas, e os Nefitas. A América é também o local onde Deus, o Pai e Seu Filho, Jesus Cristo, apareceram a Joseph Smith, inaugurando assim, a última dispensação do evangelho na Terra antes da segunda vinda do Salvador.

Esta terra consagrada foi colocada sob o decreto eterno de Deus. Este decreto é registrado no sagrado O Livro Mórmon – Outro Testamento de Jesus Cristo, nestas palavras:

“Porque eis que esta é uma terra escolhida entre todas as outras terras; portanto, aquele que a habitar deverá servir a Deus ou será varrido, porque este é o eterno decreto de Deus. (…)

“Eis que esta é uma terra escolhida; e qualquer nação que a habitar se verá livre da servidão e do cativeiro e de todas as outras nações debaixo do céu, se apenas servir ao Deus da terra, que é Jesus Cristo” (Éter 2:10,12).

O eventual destino da América também foi revelado aos profetas de Deus. À Joseph Smith o Senhor revelou que “a América inteira é a própria Sião, de norte a sul” (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, compilado por Joseph Fielding Smith, Salt Lake City: Deseret Book Company, 1938, pg. 362). E além disso, o Senhor decretou que esta terra é “o lugar da Nova Jerusalém, que desceria do céu, (…) o sagrado santuário do Senhor” (Éter 13:3). Para satisfazer os propósitos eternos de Deus e para preparar esta terra para Sião, Deus “[estabeleceu] a Constituição deste país, pelas mãos de homens prudentes que [Ele levantou] (…), e [redimiu] a terra pelo derramamento de sangue” (D&C 101:80).

A constituição dos Estados Unidos foi ratificada em 1789. O sacerdócio de Deus foi restaurado em 1829. Entre estas duas datas existe um intervalo de quarenta anos. É minha convicção que Deus, que conhece o fim do início, providenciou aquele período de tempo para que esta nova nação pudesse crescer fortemente para proteger a terra de Sião.

Na década anterior à restauração do evangelho, muitos países da América do Sul lutaram em guerras de independência para libertarem-se do jugo europeu. A Rússia, a Áustria e a Prússia, entretanto, incitaram a França a ajudar a Espanha e Portugal para restaurarem suas monarquias na América do Sul. Este esforço foi rejeitado por uma proclamação do governo dos Estados Unidos conhecida como a “Doutrina Monroe”.

O centro da Doutrina Monroe consiste nestas palavras: “Os continentes americanos (…) não serão daqui em diante considerados sujeitos a colonizações por quaisquer potências europeias”.

O Senhor prometeu, “E eu fortificarei esta terra contra todas as outras nações” (2 Néfi 10:12). O Presidente Joseph Fielding Smith disse que “a ‘Doutrina Monroe’ é a mais grandiosa e poderosa fortificação na América. (…) Ela foi a inspiração do Todo-Poderoso que desceu sobre Quincy Adams, Thomas Jefferson e outros estatistas, e que finalmente encontrou expressividade autoritária na mensagem de James Monroe ao Congresso no ano de 1823” (The Progress Of Man, Salt Lake City: Deseret Book Company pp. 466-67 ).

Assim, neste período de quatro décadas os Estados Unidos cresceram suficientemente fortes para que a nação fosse capaz de fornecer um talo de liberdade para a Igreja restaurada de Jesus Cristo.

Mas toda vez que o Deus do céu revela Seu evangelho à humanidade, Satanás, o arqui-inimigo de Cristo, introduz uma falsificação.

Isaías previu o tempo quando uma obra maravilhosa e um assombro surgiriam entre os homens.  Isaías também previu que haveriam aqueles que “querem esconder profundamente o seu propósito do Senhor, e fazem as suas obras às escuras, e dizem: Quem nos vê? ” Ele viu o tempo em que a obra dirá ao seu artífice, “Não me fez” (Isaías 29:15-16).

É certo perguntar, qual sistema estabeleceu obras secretas de trevas para derrubar nações através de violentas revoluções? Quem de forma blasfema proclamou a doutrina ateísta de que Deus não nos fez? Satanás trabalha através de agentes humanos. Nós apenas precisamos olhar para alguns dos personagens desprezíveis da história humana que eram contemporâneos a restauração do evangelho para descobrir o cumprimento da profecia de Isaías. Eu me refiro aos infames fundadores do Comunismo e outros que seguem suas tradições.

O Comunismo introduziu no mundo um substituto à verdadeira religião. É uma falsificação do plano do evangelho. Os falsos profetas do Comunismo preveem uma sociedade utópica. E isto, eles proclamam, só irá acontecer se o capitalismo e o livre mercado forem derrubados, a propriedade privada abolida, a família como uma unidade social eliminada, todas as classes abolidas, todos os governos derrubados, e se uma propriedade comum dos bens, em uma sociedade sem classes e sem estado, for estabelecida.

Desde 1917 esta falsificação impiedosa do evangelho obteve um imenso progresso em direção ao seu objetivo de dominação mundial.

Hoje nós estamos em batalha pelos corpos e almas do homem. É uma batalha entre dois sistemas opostos: liberdade e escravidão, O Cristo e o anticristo. O desafio é mais momentâneo do que a uma década atrás. E ainda hoje a sabedoria convencional diz, “Você precisa aprender a viver com o Comunismo e desistir de suas ideias sobre soberania nacional”. Diga isso aos milhões – sim, os milhões – que encontraram a morte ou cativeiro sob a tirania do Comunismo! Este é o gemido de morte da liberdade e de tudo aquilo que prezamos. Deus sempre precisará ter um povo livre para fazer prosperar a Sua obra e estabelecer Sião.

Eu sou uma testemunha das nações e povos que foram privados de sua liberdade. Eu estava lá. Eu assisti aquela grande Cortina de Ferro cair em torno de nações que antes prezavam a sua liberdade – boas pessoas. Fiquei arrasado ao ver suas liberdades serem anuladas pelo golpe de uma caneta. Eu vi a Polônia ser abandonada por nações com uma herança de liberdade – Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha.

Eu estava em Varsóvia em junho de 1946. Eu dividi um quarto com mais sete outros homens no Hotel Polônia, o único hotel que estava parcialmente intacto na grande cidade de Varsóvia. Nosso embaixador, Bliss Lane, tinha seu escritório numa parte do edifício. Ele ficou tão deprimido que renunciou e escreveu o livro “I Saw Poland Betrayed” (Eu vi a Polônia ser traída), no qual é detalhado o fracasso dos Estados Unidos e da Inglaterra em manter a promessa que a Polônia teria uma eleição livre depois da guerra.

Eu vi, em primeira mão, a nossa grande nação ficar como espectadora no tempo da revolução húngara – quando “lutadores da liberdade” com suas mãos nuas e com pedras resistiram balas, tanques e artilharia. Eu confesso que fiquei envergonhado com a resposta do meu país – uma nação que eu acredito que o Senhor pretendia fazer ser um estandarte de liberdade para todas as outras. A Liberdade não morreu somente para a Hungria naquele dia (23 de outubro de 1956). A esperança morreu para muitas outras nações cativas e só recentemente tem de alguma forma revivido graças a homens corajosos que estão dispostos a falar contra a opressão. 

Desde aquele dia eu tenho visto a União Soviética, sob o comando de seus líderes impiedosos, espalhar esta ideologia por todo o mundo. Todo estratagema é usada – comércio, guerra, revolução, violência, ódio, desanuviamento, e imoralidade – para cumprir seus propósitos. Muitas nações estão agora sob seu controle opressivo. Mais de um bilhão de pessoas – um quarto da população mundial – tiveram sua liberdade perdida e estão sob a dominação do Comunismo. Parece que esquecemos que o grande objetivo do Comunismo ainda é o controle e a dominação mundial, que significa a rendição de nossa liberdade – sua liberdade – nossa soberania.

No dia 3 de julho de 1936, a Primeira Presidência publicou esta advertência aos membros da Igreja:

“O comunismo não é um partido político nem um plano político dentro da Constituição; é um sistema de governo que é oposto ao nosso governo constitucional. (…)

“Se o Comunismo for implantado, irá destruir nosso governo constitucional americano. Apoiar o Comunismo é uma ameaça às nossas instituições livres, e nenhum cidadão americano patriota deve tornar-se comunista ou apoiador do Comunismo. (…)

“Convocamos completamente todos os membros da Igreja a evitar o Comunismo. A segurança de nosso inspirado governo constitucional e o bem-estar de nossa Igreja exigem de forma imperativa que o Comunismo não tenha lugar na América” (assinado por Hebert J. Grant, J. Reuben Clark Jr., David O. McKay, A Primeira Presidência, publicado no Deseret News, dia 3 de julho de 1936; itálicos adicionados).

Mais recentemente, Presidente Marion G. Romney, na mensagem da Primeira Presidência em setembro de 1979 na revista Ensign, escreveu: “O Comunismo é a falsificação de Satanás ao plano do evangelho, e (…) é um inimigo declarado do Deus da América. O Comunismo é o maior poder anticristo no mundo hoje e, portanto, a maior ameaça não somente para nossa paz, mas para a nossa preservação como um povo livre. A medida que nós o toleramos, nos acomodamos com ele, nos permitimos ser envolvidos por seus tentáculos e nos achegamos a ele, nesta medida perdemos a proteção de Deus nesta terra” (pg. 5).

A verdade é, nós em grande parte nos acomodamos com o Comunismo – e nós nos permitimos envolver em seus tentáculos. Embora oferecemos nossos lábios à Doutrina Monroe, isto não impediu com que Cuba tornasse uma base militar Soviética, noventa milhas de distância de nossa costa, nem impediu a tomada de poder na Nicarágua na América Central, a rendição do Canal do Panamá, ou a infiltração de agentes inimigos dentro de nossas fronteiras americanas.

Nunca antes a terra de Sião aparentou estar tão vulnerável a um inimigo tão poderoso como a América está no momento. E nossa vulnerabilidade é diretamente atribuída a nossa ativa perda de fé em Deus, que decretou que devemos adorá-lo ou sermos varridos. Americanos demais perderam a visão da verdade de que Deus é a nossa fonte de liberdade – o Legislador – e a retidão pessoal é a essência mais importante para preservar a nossa liberdade. Assim, digo com toda a energia da minha alma que, a menos que, como cidadãos desta nação, abandonemos os nossos pecados, políticos e outros, e voltemos aos princípios fundamentais do cristianismo e do governo constitucional, perderemos as nossas liberdades políticas, as nossas instituições livres, e estaremos em perigo diante de Deus.

Nenhuma nação que guardou os mandamentos de Deus jamais pereceu, mas eu digo a vocês que, uma vez que a liberdade é perdida, somente sangue – sangue humano – a conquistará de volta.

Há algumas coisas que podemos e devemos fazer de uma vez se quisermos repelir um holocausto de destruição.

Primeiro: Nós devemos voltar a adorar ao Deus desta terra, que é Jesus Cristo. Ele prometeu que os justos serão preservados pelo seu poder (ver 1 Néfi 22:17). Mas nós devemos guardar os mandamentos de Deus. Devemos pagar nossos dízimos e ofertas, guardar o dia do Senhor, permanecer moralmente limpos, ser honestos em nossos negócios, e realizar nossas orações pessoais e familiares. Devemos viver o evangelho.

Segundo: Precisamos despertar para uma “[consciência de nossa] terrível situação por causa desta combinação secreta que [existe] entre [nós]” (Éter 8:24). Nós não devemos tolerar acomodação ou apaziguamento ao falso sistema do comunismo. Nós devemos exigir de nossos oficiais eleitos que, nós não somente resistamos ao Comunismo, mas que também tomemos toda medida para prevenir a intrusão neste hemisfério. É vital que invoquemos a Doutrina Monroe.

Então nós devemos colocar nossa confiança Nele que nos prometeu Sua proteção – e orar para que Ele interfira na preservação de nossa liberdade da mesma forma que ele interferiu para que obtivéssemos ela em primeiro lugar.

Terceiro: Nós devemos agir da forma que Deus nos ordenou por revelação em 1833: “Deve-se, portanto, procurar diligentemente homens honestos e homens sábios; e homens bons e homens sábios devereis apoiar; pois o que for menos do que isto provém do mal” (D&C 98:10).

Homens que são sábios, bons, e honestos, que irão defender a Constituição dos Estados Unidos na tradição dos Fundadores, devem ser buscados em diligência. Esta é a nossa esperança em restaurar nosso governo ao seu papel em retidão.

Último: Devemos estudar a Constituição inspirada e nos tornar envolvidos no processo político por nós mesmos. Eu citarei a declaração da Primeira Presidência que foi lida nas reuniões sacramentais no domingo, dia 1 de julho de 1979: “Nós encorajamos todos os membros, como cidadãos da nação, a serem envolvidos ativamente no processo político, e dar apoio as medidas que fortalecem a comunidade, o estado a nação – moralmente, economicamente e culturalmente” (Carta da Primeira Presidência, 29 de junho de 1979).

Eu acredito plenamente que nós podemos mudar as coisas na América se tivermos a determinação, a moral, o patriotismo e a espiritualidade de fazê-lo.

Minha única preocupação é pela liberdade e o bem-estar de meus compatriotas e de minha posteridade, a liberdade de todos os homens.

Eu testifico a vocês que a mão de Deus está em nosso destino. Eu testifico que a liberdade como a conhecemos está ameaçada como nunca antes em nossa história. Eu ainda testemunho que esta terra – As Américas – deve ser protegida, sua constituição protegida, porque esta é uma terra preordenada para ser a Sião de nosso Deus. Ele espera que nós como membros da igreja e portadores de Seu sacerdócio façamos tudo o que pudermos para preservar nossa liberdade.

Que Deus possa nos abençoar para que, com Sua ajuda, nós não falhemos em levar a efeito Seus propósitos na Terra. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

CONFERÊNCIA GERAL DE OUTUBRO DE 1979

Link do texto original:A Witness and a Warning

Bastidores da Tradução

Levou cerca de 3 horas para finalizar a tradução deste discurso. Eu gosto muito dele porque quando o li, todas as minhas convicções políticas se confirmaram. Tenho comigo mesmo que o evangelho é muito mais importante do que qualquer outra ideologia dos homens, é a pedra cortada da montanha sem mãos que varrerá toda a Terra. À maneira do Senhor todas as nações serão abençoadas.

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