BRAD WILCOX

Brad Wilcox servia como membro da Junta Geral da Escola Dominical de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, bem como professor associado da BYU no Departamento de Educação de Professores na Escola de Educação David O. McKay, quando esta devocional aconteceu no dia 12 de julho de 2011.
Sou grato por estar aqui com minha esposa Debi, meus dois filhos mais jovens – que estão atualmente frequentando a BYU – e muitos outros membros de nossa família que estão aqui conosco.
É uma honra para mim ser convidado a falar para vocês hoje. Muitos anos atrás, recebi um convite para falar na Conferência das Mulheres. Quando contei para minha esposa, ela perguntou: “Sobre o que eles querem que você discurse?”
Eu estava tão feliz que minhas palavras se embaralharam e eu disse: “Eles querem que eu fale sobre transformar pontos fortes em pontos fracos.”
Ela pensou por um minuto e disse: “Bem, eles chamaram a pessoa certa para a tarefa!”
Ela está certa sobre isso. Eu poderia oferecer um grande discurso sobre o assunto, mas acho melhor hoje voltar ao tópico original e falar a respeito de transformar pontos fracos em pontos fortes e de como a graça de Jesus Cristo é suficiente (veja Éter 12:27, D&C 17:8, II Coríntios 12:9) – suficiente para nos completar, suficiente para nos ajudar, suficiente para nos transformar e suficiente para nos sustentar por todo o tempo que a transformação levar.
A Graça de Cristo é Suficiente Para Nos Completar
Uma aluna da BYU uma vez veio até mim e perguntou se podíamos conversar. Eu disse: “Claro. Como posso ajudá-la?”
Ela disse: “Eu simplesmente não entendo a graça.”
Eu respondi: “Mas o que é que você não entende?”
Ela disse: “Eu sei que preciso fazer o meu melhor e então Jesus faz o resto, mas eu nem ao menos consigo fazer o meu melhor.”
Então ela começou a contar todas as coisas que deveria estar fazendo, porque ela é mórmon, e que não estava fazendo.
Ela continuou: “Eu sei que tenho que fazer a minha parte e então Jesus completa a diferença e preenche o espaço que fica entre a minha parte e a perfeição. Mas quem preenche o espaço que fica entre onde estou agora e a minha parte?”
Então ela começou a me contar todas as coisas que não deveria estar fazendo, porque ela é mórmon, mas que estava fazendo mesmo assim.
Finalmente eu disse: “Jesus não completa a diferença. Jesus faz toda a diferença. A graça não existe para preencher espaços. Ela existe para preencher a nós.”
Vendo que ela ainda estava confusa, peguei um pedaço de papel e desenhei dois pontos – um no topo representando Deus e um bem embaixo representando nós. E então eu disse: “Vá em frente. Desenhe uma linha. Quanto é a nossa parte? Quanto é a parte de Cristo?”
Ela foi direto ao centro da folha e começou a desenhar uma linha. Então, considerando o que estávamos conversando, ela foi até a parte de baixo da folha e desenhou uma linha bem próxima ao ponto de baixo.
Eu disse: “Errado.”
Ela disse: “Eu sabia que era mais para cima. Eu só tinha que ter desenhado porque eu sabia disso.”
Eu disse: “Não. A verdade é, não existe nenhuma linha. Jesus preencheu todo o espaço. Ele pagou toda a nossa dívida. Ele não pagou tudo, exceto algumas moedas. Ele pagou por tudo. Tudo está consumado.”
Ela disse: “Ok! Então quer dizer que eu não preciso fazer nada?”
“Oh, não” Eu disse, “você com certeza precisa fazer as coisas, mas não é para preencher aquele espaço. Todos nós seremos ressuscitados. Todos nós vamos voltar para a presença de Deus. O que resta ser determinado pela nossa obediência é com que tipo de corpo nós planejamos ressuscitar, o quão confortável planejamos estar na presença de Deus e por quanto tempo planejamos permanecer lá.”
Cristo nos pede para demonstrar fé Nele, arrepender-nos, fazer e cumprir convênios, receber o Espírito Santo e perseverar até o fim. Ao fazermos essas coisas, não estamos pagando as demandas da justiça – nem mesmo a menor parte. Ao invés disso, estamos mostrando apreciação pelo que Jesus Cristo fez, ao usarmos isso para vivermos uma vida como a Dele. A justiça requer perfeição imediata ou uma punição quando pecamos. Em razão de Cristo ter tomado para si aquela punição, Ele pode oferecer-nos a chance para a perfeição final (ver Mateus 5:48, 3 Néfi 12:48) e nos ajudar a alcançar esta meta. Ele pode perdoar o que a justiça nunca poderia, e Ele pode voltar-se a nós agora com sua própria lista de requerimentos (ver 3 Néfi 28:35).
“Então qual é a diferença?” A garota perguntou. “Se nossos esforços são requeridos por Jesus ou se são requeridos pela justiça, eles ainda são requeridos.”
“Verdade”, eu disse, “mas eles são requeridos para um propósito diferente. Cumprir os requerimentos de Cristo é como pagar uma previdência ao invés de um empréstimo, ou como fazer um depósito em uma conta poupança ao invés de tentar quitar dívidas. Você ainda precisa pagar todo mês, mas é por uma razão totalmente diferente.”
A Graça de Cristo é Suficiente Para Nos Transformar
O arranjo de Cristo conosco é similar ao de uma mãe que decide prover aulas de piano ao seu filho. A mãe paga o professor de piano. Quantos de vocês sabem do que estou falando? Em razão de a mãe ter pago a dívida integralmente, ela pode voltar-se a seu filho e fazer suas exigências. O que ela vai pedir? Pratique! A prática do filho paga o professor de piano? Não. A prática do filho reembolsa a mãe o que ela pagou ao professor de piano? Não. Praticando é como o filho mostra apreciação pelo incrível presente de sua mãe. É a maneira que ele pode aproveitar a maravilhosa oportunidade que sua mãe lhe deu para poder viver sua vida em um nível mais elevado. A alegria da mãe não está em ser reembolsada, mas em ver seu presente usado – ver seu filho melhorar. E então ela continuará a pedir que ele pratique, e pratique.
Se o filho vê os requerimentos de sua mãe como algo muito difícil (“Que droga mãe, por que eu preciso praticar? Nenhuma das outras crianças precisa praticar! Eu vou me tornar um jogador de futebol profissional de qualquer jeito!”), talvez seja porque ele ainda não esteja vendo com os olhos de sua mãe. Ele ainda não vê o quão melhor sua vida pode ser se ele escolhesse viver sua vida em um nível superior.
Da mesma forma, em razão de Jesus ter pago a justiça, Ele agora pode voltar-se a nós e dizer, “Siga-me” (Mateus 4:19), “Guarde os meus mandamentos” (João 14:15). Se nós virmos seus requerimentos como algo muito difícil de fazer (“Que droga! Nas outras igrejas não precisam pagar o dízimo! Nas outras igrejas eles não precisam sair em missão, servir em chamados, ou fazer o trabalho do templo!”), talvez seja porque nós não vemos com os olhos de Cristo. Nós ainda não compreendemos o que Ele está tentando fazer conosco.
O Élder Bruce C. Hafen escreveu: “O grande Mediador requer nosso arrependimento, não porque nós devemos ‘reembolsá-lo’ por ter pago nosso débito à justiça, mas porque o arrependimento inicia um processo de desenvolvimento que, com a ajuda do Senhor, nos leva a um caminho para a santidade” (The Broken Heart [Salt Lake City: Deseret Book, 1989], 149; ênfases no original).
O Élder Dallin H. Oaks disse, referindo-se à explicação do Presidente Spencer W. Kimball: “O pecador arrependido precisa sofrer por seus pecados, mas este sofrimento tem um propósito diferente de punição ou pagamento. O seu propósito é mudança” (The Lord’s Way [Salt Lake City: Deseret Book, 1991], 223; ênfases no original).
Eu tenho amigos cristãos que me dizem: “Vocês mórmons estão tentando ganhar seu caminho para o céu”.
Eu digo: “Não, não estamos ganhando o céu. Nós estamos aprendendo o céu. Estamos nos preparando para o céu” (ver D&C 78:7). “Estamos praticando o céu.”
Eles me perguntam: “Você já foi salvo pela graça?” Eu respondo: “Sim. Absolutamente, totalmente, completamente, e com toda a gratidão – sim!”
Então eu lhes faço uma pergunta que talvez nunca tivessem considerado de verdade: “Você já foi mudado pela graça?”
Eles estão tão animados por terem sido salvos que talvez nunca tenham pensado o suficiente a respeito do que vem em seguida. Eles estão tão contentes pela dívida ter sido paga que nunca chegaram a considerar a razão da dívida existir. Os Santos dos Últimos Dias não sabem somente do que Jesus nos salvou, mas também para o que Ele nos salvou. Meu amigo Brett Sanders coloca desta forma: “Uma vida impactada pela graça eventualmente começa a se parecer com a vida de Cristo.” E meu amigo Omar Canals coloca desta forma: “Enquanto muitos cristãos veem o sofrimento de Cristo unicamente como um grande favor que Ele fez por nós, os Santos dos Últimos Dias reconhecem isso como um grande investimento que Ele fez em nós.” Como Morôni também coloca, a graça não é somente sermos salvos, mas também nos tornarmos como o Salvador (ver Morôni 7:48).
O milagre da Expiação não é somente a possibilidade de podermos viver depois da morte, mas de que podemos viver mais abundantemente (ver João 10:10). O milagre da Expiação não é somente a possibilidade de sermos limpos e consolados, mas de que podemos ser transformados (ver Romanos 8). As escrituras deixam claro que nenhuma coisa impura pode habitar com Deus (ver Alma 40:26), mas, irmãos e irmãs, nenhuma coisa que não possa mudar sequer irá querer habitar com Deus.
Eu conheço um rapaz que acabara de sair da prisão – de novo. Cada vez que, em uma encruzilhada, só existem dois caminhos, ele pega o caminho errado – toda vez. Quando ele era adolescente e lidava com todos os maus hábitos que um adolescente pode ter, eu disse ao seu pai: “Nós precisamos levá-lo ao EFY.” Eu trabalho com esse programa desde 1985. Eu sei o bem que ele pode fazer.
Seu pai disse: “Eu não posso pagar por isso.”
Eu disse: “Eu também não, mas eu tenho um pouco e você tem um pouco, e então pedimos o resto a minha mãe, porque ela é um amor de pessoa.”
Nós finalmente levamos o rapaz ao EFY, mas por quanto tempo vocês acham que ele durou lá? Nem mesmo um dia. Ao final do primeiro dia ele ligou para a sua mãe e disse: “Me tirem daqui!”
O céu não vai ser céu para aqueles que não escolheram ser celestiais.
No passado eu tinha uma visão em minha mente de como seria o julgamento final, e era alguma coisa assim: Jesus de pé com uma prancheta e o Brad de pé do outro lado da sala nervoso e olhando para Jesus.
Jesus olha sua prancheta e diz: “Oh Brad. Você não passou por dois décimos.”
Brad então implora para Jesus: “Por favor, reconsidere dois décimos, eu tenho certeza que dá pra arredondar.” Foi sempre dessa forma que eu vi.
Mas quanto mais velho eu fico, mais eu entendo este maravilhoso plano de redenção, mais eu percebo que no julgamento final não será o pecador não arrependido implorando a Jesus: “Deixe-me ficar.” Não, ele provavelmente dirá: “Me tirem daqui!” E conhecendo a personalidade de Jesus, acredito que se houver alguém implorando na ocasião, será provavelmente Jesus implorando ao pecador não arrependido: “Por favor, escolha ficar. Por favor, use a minha Expiação – não somente para ser limpo, mas para ser mudado de forma que queira ficar.”
O milagre da Expiação não é simplesmente o fato de podermos voltar para casa, mas que milagrosamente nós vamos poder nos sentir em casa lá. Se Cristo não nos pedisse fé e arrependimento, então não haveria desejo de mudança. Pense naqueles amigos e familiares que escolheram viver sem fé ou sem arrependimento. Eles não querem mudar. Eles não estão tentando abandonar o pecado e tornarem-se confortáveis com Deus. Eles estão tentando abandonar Deus tornando-se confortáveis com o pecado. Se Jesus não nos pedisse convênios e não nos conferisse o dom do Espírito Santo, então não haveria maneira de mudar. Nós seríamos deixados para sempre somente com a nossa força de vontade, sem nenhum acesso ao Seu poder. Se Jesus não nos pedisse que perseverássemos até o fim, então não haveria uma internalização dessas mudanças ao decorrer do tempo. Elas seriam para sempre superficiais e cosméticas ao invés de se aprofundarem em nós e tornarem-se parte de nós – parte de quem nós somos. Simplificando, se Jesus não pedisse prática, então nós nunca nos tornaríamos pianistas.
A Graça de Cristo é Suficiente para Nos Ajudar
“Mas irmão Wilcox, você não percebe o quão difícil é praticar? Eu não sou muito bom no piano. Eu toco muitas notas erradas. Eu levo uma eternidade para acertar”. Espere um pouco. Isso tudo não é parte do processo de aprendizado? Quando um jovem pianista toca uma nota errada, nós não dizemos que ele não é digno de continuar praticando. Nós não criamos a expectativa de que ele seja impecável. Nós simplesmente esperamos que ele continue tentando. A perfeição pode ser sua meta definitiva, mas, por enquanto, nós podemos nos contentar com o seu progresso na direção certa. Por que esta perspectiva é tão fácil de enxergar no contexto do aprendizado de piano, mas tão difícil de se enxergar no contexto de aprender sobre o céu?
Muitos estão desistindo da Igreja porque estão cansados do sentimento constante de fracasso. Eles tentaram no passado, mas sempre sentiram que simplesmente não são bons o bastante. Eles não entendem a graça.
Existem moças que sabem que são filhas de um Pai Celestial que as ama, e elas O amam. Então elas se formam no Ensino Médio, e os valores que decoraram são colocados à prova. Elas escorregam. Elas deixam as coisas irem longe demais e, de repente, acham que está tudo acabado. Essas moças não entendem a graça.
Há rapazes que crescem a vida toda cantando: “Eu quero ser um missionário”, e então eles crescem um centímetro ou dois e caem. Eles conseguem suas medalhas, se formam no Ensino Médio e vão para a faculdade. Então, repentinamente, eles descobrem como é fácil não ser confiável, leal, prestativo, amigável, cortês, bondoso, obediente, alegre, parcimonioso, corajoso, limpo ou reverente. Eles estragam tudo. Eles dizem: “Eu nunca vou fazer isso de novo”, e então eles fazem. Eles dizem: “Eu nunca vou fazer isso de novo”, e então eles fazem. Eles dizem: “Isso é estúpido. Eu nunca vou fazer isso de novo”, e então eles fazem. A culpa é quase insuportável. Eles não têm coragem de falar com o bispo. Ao invés disso, eles escondem. Eles dizem: “Eu não consigo mais ser mórmon. Eu tentei, mas as expectativas são muito altas”. Então eles desistem. Esses rapazes não entendem a graça.
Eu conheço missionários retornados que chegam em casa e voltam a praticar maus hábitos que achavam que tinham sumido. Eles quebram promessas feitas diante de Deus, anjos e testemunhas, e se convencem de que não existe esperança para eles agora. Eles dizem: “Bem, eu estraguei tudo, não adianta nem mesmo tentar mais”. Sério? Esses jovens passaram missões inteiras ensinando as pessoas a respeito de Jesus Cristo e Sua Expiação, e agora acham que não existe esperança para eles? Esses missionários retornados não entendem a graça.
Eu conheço casais jovens que descobrem que, depois que a cerimônia de selamento acaba, o seu casamento precisa de ajustes. As pressões da vida se acumulam, o estresse começa a surgir financeiramente, espiritualmente e até mesmo sexualmente. Erros são cometidos, paredes são levantadas, e rapidamente esses maridos e esposas estão conversando com seus advogados de divórcio ao invés de conversarem um com o outro. Esses casais não entendem a graça.
Em todos esses casos nunca deveria haver apenas duas opções: perfeição ou desistência. Quando estamos aprendendo piano, existem apenas duas opções: apresentar no Carnegie Hall ou desistir? Não. Crescimento e desenvolvimento levam tempo. Quando nós entendemos a graça, entendemos que Deus é longânimo, que a mudança é um processo e que o arrependimento é um padrão nas nossas vidas. Quando entendemos a graça, entendemos que as bênçãos da Expiação de Cristo são contínuas e Sua força é perfeita em nossas fraquezas (ver 2 Coríntios 12:9). Quando entendemos a graça, podemos, como diz em Doutrina & Convênios, “[continuar] pacientemente até que [sejamos] aperfeiçoados” (D&C 67:13).
Um rapaz me enviou o seguinte e-mail: “Eu sei que Deus tem todo o poder, e eu sei que Ele vai me ajudar se eu for digno, mas eu nunca sou digno o suficiente para pedir Sua ajuda. Eu quero a graça de Cristo, mas eu sempre me encontro preso no mesmo estado derrotista e impossível posição: sem obras, sem graça”.
Eu lhe escrevi de volta e testifiquei com todo o meu coração que Cristo não está esperando na linha de chegada uma vez que fizemos “tudo o que [pudemos] fazer” (2 Néfi 25:23). Ele está conosco em cada passo do caminho.
Élder Bruce C. Hafen escreveu: “O dom da graça do Salvador para nós não é necessariamente limitado em tempo a ‘depois’ de tudo que pudermos fazer. Nós podemos receber sua graça antes, durante e depois do tempo que dispendemos nossos próprios esforços” (The Broken Heart [Salt Lake City: Deseret Book, 1989], 155). Então a graça não é um turbo que é acionado uma vez que nosso combustível acaba; pelo contrário, a graça é nossa constante fonte de energia. Não é a luz no final do túnel, mas a luz que nos move através do túnel. A graça não é alcançada em algum lugar da estrada. Ela é recebida aqui e agora. Ela não é o toque final; ela é o toque do finalizador (ver Hebreus 12:2).
Daqui a doze dias vamos celebrar o Dia dos Pioneiros. A primeira companhia de Santos entrou no Vale de Salt Lake no dia 24 de julho de 1847. Sua jornada foi difícil e desafiadora; ainda assim, eles cantaram:
“Vinde, vinde, ó Santos, sem labuta ou temor ao trabalho;
“Mas com alegria sigam teu caminho.
“Embora difícil para ti esta jornada pareça ser;
“A graça deve ser como o seu dia.”
[“Vinde, Ó Santos”, Hinos Nº 20 (tradução literal da versão do hinário em inglês “Come, Come, Ye Saints”, Hymns, 2002, no.30) ]
“A graça deve ser como o seu dia” – que frase interessante. Nós cantamos isso centenas de vezes, mas será que já paramos para considerar o que significa? “A graça deve ser como o seu dia”. Não importa o quão escura a noite possa ser, nós podemos sempre contar com o sol que virá pela manhã. Não importa quão negros nossos desafios, pecados e erros possam parecer, nós podemos sempre ter confiança na graça de Jesus Cristo. Nós temos que ganhar um raio de sol? Não. Nós temos que ser dignos de ter uma chance de começar de novo? Não. Nós simplesmente temos que aceitar essas bênçãos e tirar vantagem delas. Tão certo quanto a chegada de um novo dia – o poder capacitador de Jesus Cristo – é constante. Pioneiros fiéis sabiam que não estavam sozinhos. A tarefa que eles tinham pela frente nunca foi maior do que o poder que eles tinham em sua retaguarda.
Conclusão
A graça de Cristo é suficiente – suficiente para pagar nossos débitos, suficiente para nos transformar e suficiente para nos sustentar durante todo o tempo que o processo de transformação levar. O Livro de Mórmon nos ensina a confiar solenemente nos “méritos e misericórdia e graça do Santo Messias” (2 Néfi 2:8). Ao fazermos isso, nós não descobrimos – como alguns cristãos acreditam – que Cristo não requer nada de nós. Ao invés disso, nós descobrimos a razão pela qual Ele requer tanto e a força para fazer tudo o que Ele pede (ver Filipenses 4:13). A graça não é a ausência das altas expectativas de Deus. A graça é a presença do poder de Deus (ver Lucas 1:37).
O Élder Neal A. Maxwell uma vez disse o seguinte:
“Agora deixe-me falar… Àqueles fustigados pela falsa insegurança que, mesmo trabalhando de forma devotada no Reino, têm sentimentos recorrentes de sempre fracassar…
“… Este sentimento de desqualificação é… normal. Não existe uma maneira pela qual a Igreja possa honestamente descrever aonde ainda devemos ir e o que ainda devemos fazer sem criar um senso de imensa distância…
“… Este é um evangelho de grandes expectativas, mas a graça de Deus é suficiente para cada um de nós.” [CR, outubro de 1976, 14, 16; “Apesar de Minhas Fraquezas”, Ensign, novembro de 1976, 12, 14].
Com o Élder Maxwell, eu testifico que a graça de Deus é suficiente. A graça de Jesus é suficiente. É o bastante. É tudo o que precisamos. Ó jovens, não desistam. Continuem tentando. Não procurem escapatórias ou desculpas. Procurem o Senhor e Sua força perfeita. Não busquem alguém para culpar, busquem alguém para lhes ajudar. Procurem Cristo e, ao fazer isso, eu prometo que sentirão o poder capacitador que nós chamamos de Sua Maravilhosa graça. Eu deixo este testemunho e todo meu amor – porque eu os amo. Deus é minha testemunha, eu amo a juventude da Igreja. Eu acredito em vocês. Eu estou torcendo por vocês, seus pais estão torcendo por vocês, os líderes estão torcendo por vocês, e profetas estão torcendo por vocês. E Jesus está com vocês. Eu digo isso em nome de Jesus Cristo, amém.
Texto original: His Grace Is Sufficient
BASTIDORES DA TRADUÇÃO
Este discurso foi um dos mais importantes da minha vida. Eu o li pela primeira vez durante a minha missão e ele me ajudou a mudar totalmente a maneira como eu enxergava as pessoas: os membros que conhecia, os pesquisadores, meus companheiros e a mim mesmo.
Meu Presidente de Missão nos deu uma cópia em português que ele mesmo traduziu, mas infelizmente eu perdi essa cópia e resolvi traduzir por conta própria. Este mesmo discurso também está no site da igreja em português, porém não foi traduzido completamente. Você pode encontrar a versão oficial em português neste link: Sua Graça Basta.
Muito obrigado.
Esse discurso tem me feito refletir, mudou meu modo de ver as coisas, me deu forças e clareza. Verdadeiramente obrigada!
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