A “teoria de Adão-Deus” é um dos tópicos mais controversos e amplamente citados na história de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Por mais de um século, críticos e historiadores a apontaram como uma “prova cabal de heresia” e o exemplo mais claro de “mudanças radicais na doutrina oficial”. A compreensão comum, conforme definida por críticos e até pelos principais resultados do Google, é que Brigham Young, o segundo presidente da Igreja, ensinou que Adão (o primeiro homem) era, na verdade, Deus, o Pai, e o pai literal e físico de Jesus Cristo.

No entanto, o episódio do podcast “WARD RADIO”, intitulado “BOMBSHELL: Adam-God Theory NEVER happened!”, apresenta uma alegação ousada: a teoria, como é comumente entendida, é uma completa fabricação — uma “teoria da conspiração” construída sob uma “tempestade perfeita” de erros de escribas, transcrições não confiáveis e um mal-entendido fundamental da terminologia dos santos dos últimos dias do século XIX.
O vídeo argumenta que toda essa controvérsia histórica é resultado de uma cascata de erros que, quando examinados individualmente, desmontam os alicerces da teoria.
A Crítica Central e a “Renúncia” de 1976
A crítica central, conforme detalhada no vídeo, repousa sobre dois pilares:
- Sermões de Brigham Young: Alguns sermões do Journal of Discourses são citados como evidência de que Brigham Young teria ensinado essa doutrina.
- Renúncia por Spencer W. Kimball: Na Conferência Geral de 1976, o presidente Spencer W. Kimball declarou: “Denunciamos essa teoria”, referindo-se à teoria de Adão-Deus.
Críticos, como os citados no vídeo, veem isso como uma “mudança radical” — argumentando que o que era doutrina sob Young tornou-se “falsa doutrina” sob Kimball, provando que os ensinamentos da Igreja seriam volúveis. O vídeo se dedica a refutar essa narrativa, não defendendo a teoria, mas argumentando que ela nunca foi ensinada.
Uma Cascata de Erros: O Argumento Central do Vídeo
Os apresentadores do “WARD RADIO” constroem seu caso identificando quatro fontes principais de confusão que, combinadas, criaram a ilusão de uma doutrina:
1 – O Título “Adão” vs. o Homem “Adão”:
O argumento mais significativo é que “Adão” era frequentemente usado por Joseph Smith e Brigham Young não como nome próprio, mas como um título que significa “Primeiro Pai”. O vídeo afirma que os primeiros líderes da Igreja distinguiam entre:
- “Pai Adão”: Um título para Deus, o Pai.
- “Filho Adão”: Um título para o homem do Jardim do Éden, também conhecido como Miguel, o Arcanjo.
Como evidência, citam um sermão de 8 de outubro de 1854, onde Young diz: “Todo mundo teve um Adão e uma Eva… chamados assim porque o primeiro homem sempre é chamado Adão”.
O argumento é que, quando Brigham Young usou o título “Pai Adão”, críticos posteriores e membros da Igreja confundiram-no com o nome “Adão”, assim equivocadamente confundindo Deus Pai com o homem do Jardim.
2 – Escrituras Corrompidas e Erros de Escribas:
O vídeo destaca diversos erros de escrita significativos nas próprias escrituras da Igreja, que teriam contribuído para aumentar essa confusão:
- Pérola de Grande Valor (Abraão 1:3): O manuscrito original dizia “o primeiro homem, que é Adão ou primeiro pai”, com “ou” como termo definidor (ou seja, “Adão, que significa, primeiro pai”). Isso foi impresso mais tarde como “Adão, nosso primeiro pai”, mudando o sentido de título para pessoa.
- Doutrina e Convênios 137:5: No vídeo, é afirmado que o manuscrito original da visão de Joseph Smith diz: “Eu vi o Pai Adão, e Abraão, e Miguel”. A inclusão de Adão e Miguel implica que eles são duas pessoas distintas. No entanto, o versículo como está canonizado hoje omite “Miguel”. É argumentado que um escriba posterior, presumindo que Adão e Miguel eram a mesma pessoa, “corrigiu” a revelação de Joseph, escondendo assim uma evidência chave.
3 – A Falta de Confiabilidade das Transcrições:
Uma crítica contundente é feita ao Journal of Discourses, principal fonte da teoria de Adão-Deus. O vídeo aponta que não se tratam de transcrições literais, mas sim de relatos de segunda mão, registrados em taquigrafia proprietária por escribas que podem ter ouvido errado ou interpretado mal o orador. A prova mais forte disso é a comparação direta de um mesmo sermão proveniente de duas fontes distintas:
- Journal of Discourses: Nele é citado Brigham Young afirmando que Jesus foi “gerado na carne pelo mesmo personagem que esteve no Jardim do Éden”. Essa é a famosa “prova incontestável”.
- Relato de Ben Rich: Outro participante, que também assistiu à mesma palestra, anotou a frase como: Jesus foi “gerado em carne pelo mesmo personagem que falou com Adão no jardim do Éden”. A inclusão de apenas duas palavras — “falou com” — muda totalmente o sujeito da frase, de Adão para Deus, encaixando-se perfeitamente na teologia da Igreja e derrubando o ponto central da teoria de Adão-Deus.
4 – O Poder da Pontuação:
O vídeo também demonstra como, em uma transcrição de um sermão falado sem pontuação, uma simples mudança na entonação ou um ponto mal colocado por um transcritor poderia transformar uma doutrina ortodoxa em uma herética. Um sermão importante de Brigham Young é mostrado em formato de duas colunas:
- Com um conjunto de pontuação, lê-se como se “Pai Adão”, “Miguel” e “o Ancião de Dias” fossem todos títulos para Deus, o Pai de Jesus Cristo.
- Com outro conjunto de pontuação, lê-se como uma lista simples: Jesus tem um pai (Pai Adão, ou seja, Deus), e Michael (uma pessoa separada) também tem um pai.
Reinterpretando a Renúncia de 1976
Nesse contexto, o vídeo revisita a denúncia feita em 1976 pelo Presidente Spencer W. Kimball. O locutor afirma que os críticos deixam de lado a palavra mais importante de toda a declaração: “supostamente”. O Presidente Kimball declarou:
“Advertimos contra a disseminação de doutrinas que não estão de acordo com as escrituras e que supostamente teriam sido ensinadas por algumas das autoridades gerais de uma geração passada… Como, por exemplo, a teoria Adam-Deus”
A conclusão é que o Presidente Kimball não estava rejeitando Brigham Young, mas sim, com precisão profética, denunciando a falsa teoria que os críticos afirmavam que ele teria ensinado. Na prática, ele concordava com a premissa do vídeo: a teoria em questão era uma “doutrina falsa” e uma “mentira”, e Brigham Young jamais a ensinou.
Conclusão
O vídeo então conlcui que críticos usam um jogo de “copo e bolinhas”, misturando a teoria falsa (Adão é Deus Pai) com doutrinas verdadeiras, mas distintas, dos Santos dos Últimos Dias (como a apoteose, ou o “um ciclo eterno”) para criar confusão ao máximo.
Em última análise, o vídeo “BOMBSHELL: Adam-God Theory NEVER happened!” apresenta um caso detalhado de que toda essa controvérsia é um mal-entendido histórico, e que a “Bomba” é que a doutrina nunca existiu de fato.
Você pode assistir ao vídeo completo e explorar seus argumentos aqui: